Meu Papel: Product Designer (Foco em Research, UX/UI e Validação).
Time: 1 PM, 1 Tech Lead, 4 Engenheiros.
Empresa: Rock Content.
Produto: Dashboard de gestão de capacidade para o Studio, uma plataforma SaaS para agências e times de marketing gerenciarem projetos, campanhas e finanças.
Resultados: Satisfação de 75/100, retenção e engajamento de +30 contas e 3 upgrades de plano prospectados imediatamente após o lançamento.
A dor silenciosa que custava 6 horas por semana
Todo produto tem uma promessa. A visão do Studio era ser o centro de comando para agências e times de marketing gerenciarem suas operações. No entanto, havia uma lacuna perigosa entre a nossa visão e a realidade: éramos ótimos em gerenciar tarefas, mas nossos usuários precisavam gerenciar pessoas.
Ouvimos o alarme soar quando percebemos o risco de sermos substituídos. Clientes sentiam falta de ferramentas de gestão de nível de equipe e começavam a olhar para a concorrência. Mais do que isso, líderes de equipe estavam perdendo um tempo precioso: eles abandonavam o Studio e passavam até 6 horas por semana atualizando planilhas paralelas apenas para entender quem estava sobrecarregado e quem estava livre.
A missão ficou clara: precisávamos trazer a gestão de equipes para dentro de casa, recuperando nossa competitividade e retendo clientes.
Nossas premissas
O design estratégico nasce do alinhamento com o problema de negócio. Antes de desenhar qualquer tela, facilitei um workshop com os stakeholders de Produto para mapear o conhecimento existente e definir um plano de pesquisa. Sabíamos que para ter sucesso, precisaríamos de três pilares:
Empatia com o caos: Era necessário entender a vida de um gestor lidando com prazos, urgências e atrasos.
Flexibilidade para criar: Seria a primeira iniciativa do Studio a utilizar um framework de front-end mais moderno.
Adoção sem fricção: A solução precisava ser intuitiva e direta, inspirada nos melhores padrões de mercado.
Desconstruindo o problema
Me aliei ao time de Customer Success para recrutar os usuários certos e conduzi entrevistas em profundidade. Em paralelo, analisei como a concorrência resolvia essa dor.
Utilizei a metodologia de Atomic Research junto ao meu PM para conectar os pontos: mapeamos 128 fatos, exploramos 11 temas e geramos diversos insights. Descobrimos que a dor aguda acontecia no planejamento semanal (segundas e sextas) e na reorganização rápida de rotas quando imprevistos e ausências ocorriam.
Isso reformulou nosso problema para uma pergunta central: Como podemos ajudar os gestores a determinar como, quando e para quem as tarefas podem ser atribuídas, usando apenas o Studio?
A Vida Real: Trade-offs, Validação e Refinamento
Com múltiplas oportunidades na mesa, propus frameworks e priorizei com o PM e o Tech Lead o que traria mais valor com a melhor viabilidade. Explorei conceitos de interface e decidimos avançar com uma visualização detalhada de cada dia da semana (Imagem 2), por ser mais intuitiva e competitiva do que a visão consolidada.
Mas o design não sobrevive ao primeiro contato com o usuário sem cicatrizes. Levei a proposta para testes de percepção com 5 usuários ainda cedo no processo.
O que ouvi: Eles entenderam o gráfico geral. No entanto, confundiam os títulos das tarefas com os dos projetos e tinham dificuldade em entender a distribuição de horas por dia. Alguns até acharam que a cor vermelha significava um dia "totalmente lotado".
Como iterei: Removi o título da tarefa da lateral e o movi para dentro do card. Incluí não só o tempo estimado, mas o tempo distribuído por dia. Também criei um fluxo de onboarding para os primeiros acessos.
Para polir a interface, levei o projeto para uma Design Critique com o Chapter de Design. Foi ali que alterei a orientação do gráfico de barras de horizontal para vertical (transmitindo melhor a ideia de "dia enchendo"), sacrifiquei designs muito específicos para tarefas de 1 dia em prol da consistência geral, e adicionei um efeito de fade para focar a atenção do usuário no card que ele está interagindo.
Criando fluidez para a engenharia
Colaborar com a engenharia me ensinou que o design só é bom se puder ser construído. Entreguei um handoff meticuloso, documentando interações, regras de negócio, validações e especificações visuais no Figma. E, como a vida real exige velocidade, dividi o handoff em 3 arquivos, um para cada fase definida em conjunto com o PM.
Promessa Cumprida
A funcionalidade Workload foi lançada e os resultados mostraram o real poder do design conectado aos negócios:
Satisfação: Atingimos 75/100 na pesquisa de CSAT, repleta de feedbacks positivos.
Retenção e Engajamento: Mais de 80 gestores de 35 clientes passaram a usar o painel diariamente. Isso incluiu salvar clientes que já consideravam migrar para a concorrência.
Monetização: O recurso tornou-se uma funcionalidade exclusiva do nosso plano mais alto, ajudando a prospectar mais de 3 upgrades de plano após o lançamento.
Olhando para trás: Testar cedo garantiu melhores negociações e validações rápidas. No entanto, a maior lição foi sobre iniciativa e colaboração: do workshop com stakeholders ao plano de implementação, percebi como o designer pode ir além da interface, ser facilitador, e influenciar a tomada de decisão se posicionando como um parceiro estratégico.
























